sobre ser grata

falando

Dias atrás, eu estava com vontade de comer macarrão com molho de tomate caseiro e queijo ralado. Não tinha em casa e não estava dando certo de passar no mercado – mais por preguiça do que por falta de tempo. Então, decidi deixar a preguiça, passei no mercado, comprei tudo o que precisava e, finalmente, comi a minha desejada macarronada. Enquanto eu comia, só conseguia pensar no quanto eu sou sortuda por poder comprar a comida que eu desejava, por poder cozinhá-la e por poder dividi-la com meus pais.

Há meses eu não tinha a chance de pegar um pão quentinho na padaria e, dias atrás, consegui realizar esse feito: meu Deus! como aquele cheiro é maravilhoso! E, enquanto eu passava a manteiga no pão, só conseguia pensar no quanto eu sou sortuda em poder comprar pão e uma manteiga de qualidade.

Eu não tenho tudo o que eu gostaria. Talvez um emprego em que meus esforços sejam reconhecidos me faça mais feliz. Ou conseguir um título de mestrada poderia me deixar mais realizada. Quem sabe uma viagem pela Europa ou um guarda-roupa de blogueira para não ter que repetir incansavelmente as mesmas camisetas de banda e a calça de moletom rasgada. Quem sabe uma casa com jardim e um cachorro ou mais livros ou uma câmera nova não tão pesada quanto a minha. Talvez tudo isso poderia me fazer mais feliz, mas, não posso negar todas as outras coisas que a vida me deu.

Eu posso comprar o que eu sentir vontade de comer, tenho uma cama confortável e mais livros do que posso ler. Tenho pais, irmã, um namorado incrível e sogros que são ótimos pra mim. Eu posso acordar, levantar e caminhar e pegar um ônibus para o trabalho que não me paga mal e é algo na minha área de formação. Eu posso chegar em casa e assistir a Netflix e agora posso fazer aulas de inglês. E eu vou ganhar uma rede!

Sempre haverá motivos para agradecer e ter isso em mente deixa a vida mais leve. Também poderá existir dias em que não vai ser fácil manter essa filosofia, porém, é exatamente nesses dias que a gente tem que manter o pensamento firme e, simplesmente, agradecer.

Comece do começo

No momento em que estou aqui tentando escrever, minha escrivaninha está bagunçada numa mistura de pó, sacolinhas surpresa de festas infantis aleatórias (sim, eu faço questão de pegar uma pra mim e, não, eu sei que não tenho mais idade pra isso, mas, quem se importa), carnê da auto escola, papéis, chaves, uma garrafa de cerveja que precisa ser guardada em seu devido lugar e um livro que também precisa ser guardado em seu devido lugar – claro, depois de eu terminar de ler, o que levará um bom tempo. Eu olho pra essa bagunça pensando por onde devo começar a arrumar, e, olhando pra essa bagunça, eu penso na minha vida e continuo perdida.  A mesa é fácil de arrumar, mas, e a vida?

A vida, nem Marie Kondo dá jeito.

Eu achei que, depois da faculdade, tudo se organizava. Eu me enganei. Na verdade, a gente gosta de se enganar porque a gente sempre acredita que depois de alguma coisa tudo irá se resolver: depois do curso, depois do primeiro emprego, depois que eu tirar carta, depois dessa noite, depois dessa música…

De repente, estou num trabalho que não gosto tanto, numa vida que não gosto tanto. A vontade de mudar está aqui dentro, matutando como agir. Em todos os lugares, o mesmo conselho: faça, faça, faça! É simples, é só começar. É como dirigir, você só precisa tirar o pé da embreagem devagarinho e, quando perceber a vida começar a se movimentar, é só pisar no acelerador e ir embora. O problema é quando você não consegue entender como essa engrenagem toda funciona. Parece muito fácil pra todo mundo, pena que não sou todo mundo (mamãe™).

Em todo caso, você deve começar do começo, não importa onde você acha que é o começo.

Cada vez que ouço esses conselhos sinto vontade de voltar pra minha cama.

É, não ando muito adulta ultimamente.