ironias da vida

falando

Há um tempo, talvez dois ou três anos atrás, eu percebi que qualquer aperto, batida, beliscão ou mordida parecia doer muito mais que o normal. Achei estranho, mas, tudo bem.

Depois de mais um tempo, percebi que meus pés demoravam muito a esquentar e que a minha perna chegava a formigar e doer de frio, e, não havia nada que fizesse esquentar, só parava de sentir quando eu dormia de cansaço.

Também comecei a notar que cada vez mais meu sono era conturbado, dormia muito, mas, era como se não tivesse dormido nada. Eu estava sempre cansada.

Isso sem contar os quadros de depressão e ansiedade.

E, se eu passasse por alguma situação estressante, tudo piorava.

Num dia de frio, não aguentava mais aquela dor estranha, então resolvi pesquisar no google o que poderia ser para que eu procurasse o médico certo. A suspeita então era de fibromialgia.

Consegui uma consulta com uma reumatologista, expliquei tudo o que sentia e ela me passou diversos exames. Tudo deu normal. Pelos exames eu sou uma pessoa absolutamente saudável.

A suspeita foi então confirmada: tenho fibromialgia.

Não tem cura. O melhor tratamento para aliviar as dores é o exercício físico. Ou seja: depende de mim. Eu, que me escondia das aulas de educação física, terei que colocar os músculos para trabalhar. Não podia ser mais irônico.

Eu voltei (agora pra ficar?)

Eu sempre escrevo essa mesma frase em todos os blogs que eu ameaço voltar, mas, cumprindo a profecia do universo eu nunca volto de verdade. É a vida.

Mas, eu não seria eu se eu não prometesse mais uma vez: dessa vez é de verdade, eu juro.

Ando num período tão conturbado e confuso pra mim, que sinto falta de colocar tudo pra fora (ou, melhor, vomitar tudo pra fora). Escrever sempre foi me refúgio e ter alguém que me leia e concorde comigo – ou não – aumenta o meu ego.

Ontem eu conheci o blog da Lívia Aquino e conheci uma palavra nova: hypomnemata, que acredito descrever o meu futuro propósito com o blog.

(..) um sistema de registro descrito por Foucault em A escrita de si: “Os hypomnematas caracterizam-se como cadernos pessoais, livros da vida, guias de conduta. Neles são colocadas citações, fragmentos de obras, exemplos e ações de que se tinha sido testemunha ou cujo relato se tinha lido, reflexões ou debates que se tinha ouvido ou que se tinha vindo à memoria”. Não se trata de revelar o que está oculto e sim de captar o já dito, de reunir o que se pôde ouvir ou ler dentre tantas coisas – é o oposto da ideia de informação. (Aquino, Lívia)

E, acima de tudo isso, fragmentos de mim mesma nessa eterna descoberta sobre o que é a vida e sobre o que eu sou e pretendo me tornar.

Será que mereço boas-vindas?

P.S: Ando respondendo tantos emails, que quase finalizo essa postagem com um Att.