As coisas não são como eram

No último domingo eu fui ao parque de diversões. Sim, esses que andam de cidade em cidade, montando e desmontando os brinquedos num looping eterno. Dessa vez, esse escolheu o terreno em frente ao supermercado. Enquanto fazíamos compras para um churrasco, joguei a ideia no ar de ir ao parque, esperando que todos topassem , por mais que achassem a ideia ridícula. Nem todo o grupo topou, não os julgo.

Então, no último domingo eu fui ao parque de diversões com meu namorado, um casal de amigos e um amigo. Sempre que passava em frente ao parque, com suas luzes ligadas, me transportava para a minha infância (talvez adolescência), quando esses parques faziam sucesso e todo mundo ia e passava as tardes inteiras indo de brinquedo em brinquedo com o “passaporte”. Isso faz quanto tempo? Acho que nove ou dez anos, mas, lembro como se fosse ontem a alegria de chegar ao parque e ver aquele monte de brinquedos enormes, em dúvida de qual seria o primeiro. Minha altura não dava pra montanha-russa, mas, tudo bem, eu tinha medo mesmo, eu só queria saber do samba e como era divertido todo mundo sentado um do lado do outro apreensivos, e então, a portinha fechava, frio na barriga, era hora de começar a diversão. Como eu adorava girar no Samba ao som de “Já é sensação“! Principalmente na parte em que fala “geral jogando a mão” e todo mundo levantava a mão sem medo de cair rolando, era muita adrenalina!

Quando eu entrei no parque nesse último domingo, não foi nada parecido com o que eu tinha nas minhas lembranças: as luzes não brilhavam tanto, os brinquedos não eram tão enormes – só alguns poucos resistiram ao tempo, e eu não sentia tanto medo assim. O parque estava praticamente vazio, somente algumas poucas crianças e os responsáveis pelos brinquedos, foi até engraçado ver 5 pessoas mais velhas querendo brincar. Ah, há quanto tempo eu não brincava no Samba! Mas, não foi a mesma coisa. Eu não estava apertada no meio das pessoas, a fila não estava grande, não tinha ninguém agitando. E então, me peguei pensando que ainda o parque vem para a minha cidade, porém, até quando? Até quando ele resistiria? Quanto a gente resiste em fazer as coisas até que a ninguém se importe mais? Ver o parque de diversões daquele jeito só me fez lembrar o quanto as coisas (e as pessoas?) tem uma vida útil, sabe, nada é pra sempre. E lembrar disso, às vezes dói.

Naquele momento, num domingo à noite, aquelas quatro pessoas eram meus melhores amigos. Eles dividiam comigo, mesmo sem saber, algumas das minhas lembranças mais bonitas da minha infância. Naquele momento, o parque decadente, era a coisa mais divertida que eu poderia estar fazendo. Naquele momento, o momento era eterno.

E, de repente, as coisas não são mais como eram.

Mas, o Samba ainda é o meu brinquedo favorito de todos os tempos.

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