quando uma amizade acaba

falando

O tempo todo a gente tem amizades se desfazendo, mas, a gente não liga muito, porque elas vão se desfazendo aos poucos até que num certo momento percebemos o quão distante estamos e bem, deixamos assim, até porque alguém já entrou no lugar dessa pessoa mesmo. E nada de receios, a vida é assim mesmo.

Daí as redes sociais vieram complicar um pouco essa dinâmica: você não consegue se distanciar o suficiente de alguém, sempre existirá um curtir aqui, um comentário acolá, uma a data a ser lembrada. Sempre haverá um resquício de contato.

E então, veio as eleições e o ódio se instaurou em todas as redes sociais. E, aos poucos, fomos percebendo o que são as pessoas. Uma ótima desculpa para se desfazer daqueles que a gente gostava mais ou menos (ou adicionou por acaso) e que você acabou de descobrir que apoia o Bolsonaro (ou o Jean Wyllys, vai saber). Tem até aqueles que não é legal desfazer a amizade pra não rolar torta de climão, mas que é só parar de seguir. Eu fiz isso. Fiz muito disso. Quem nunca?

Dia desses, estava distraída rolando a timeline do meu facebook quando percebi que há muito não tinha notícias de uma amiga. Bem, nunca se sabe, o facebook vive mudando seus algoritmos, então achei melhor entrar no perfil dela e BUM (não sei se essa onomatopeia ficou boa, mas precisava de uma): nós não éramos mais amigas no facebook!

Fiquei chateadíssima.

Poxa vida, ela é uma pessoa muito querida pra mim. Quando ninguém gostava dela no curso, eu tava lá, do lado dela. Tínhamos o mesmo gosto musical, a mesma posição política, eu não encho a minha timeline de besteira (será?, hihi). Por que será que ela desfez a amizade? Como que ela chegou a esse ponto?

Fiquei dias pensando a respeito. Não tinha noção de como isso é dolorido. Se fosse alguém que eu mal conheço, tudo bem, acontece. Mas, não. Prefiro pensar que ela resolveu deixar só parentes e amigos íntimos, assim, me sinto menos pior.

A vida real é bem mais sutil.

Sobre fins

É engraçado como nós não estamos preparados para lidar com o fim. Bem, pelo menos eu não estou. E é engraçado como nesse começo de semana eu tive que lidar com vários de uma vez.

O primeiro foi logo pela manhã de segunda, quando abro o email do trabalho e dou de cara com a notícia de que uma cliente havia falecido, foi uma parada cardíaca, e quem me avisava era o seu marido. A encomenda estava pronta há uns 15 dias, estava aguardando o retorno dela para combinar o restante do pagamento e envio da peça. Ela morreu há 20 dias, por isso não me retornava. Meus emails estavam se acumulando junto aos outros, talvez propagandas, e, nesse momento, não fazia mais diferença alguma. A morte é sempre um choque de realidade.

Ainda na segunda, fiquei sabendo que uma pessoa muita querida por todos havia falecido no último fim de semana. Meu contato com ela era pouco, mas, ainda sim, sabia o quanto era uma mulher forte e digna de admiração. Sua pequena filha é um exemplo, com apenas 13 anos já é ativa socialmente, luta pelo o que acredita e escreve poesia; alguns dias antes fora escolhida vereadora mirim e estava muito feliz pela conquista. A vida é mesmo uma caixinha de surpresa, quando menos se espera, o nosso chão balança e abre-se um abismo sob nossos pés.

Por mais que as mortes não fossem tão próximas a mim, elas sempre impactam porque esquecemos o quão frágil é a vida e porque acreditamos piamente que tudo vai ser igual amanhã – apesar de desejarmos mudanças.

Ontem, finalmente, dei o fim ao meu martírio de tirar a habilitação. Digo isso porque toda vez que sentava ao volante nas aulas, meu estômago ia no chão e revirava, minhas pernas tremiam. Ontem foi o dia de finalizar esse ciclo, passei a manhã toda me enganando dizendo que não estava ansiosa, mas a gente não consegue enganar o que o corpo sente. Por mais que eu repetisse insistentemente “não estou nervosa, hoje é o meu dia, não estou nervosa, hoje é o meu dia”, meu estômago estava enjoado o bastante para provar o contrário. Consegui realizar toda a prova (muito bem, diga-se de passagem) e fim, só esperar a minha carta chegar. Agora inicia-se outro ciclo: o de dirigir sozinha, sem um instrutor para me auxiliar. Que eu consiga superar a minha ansiedade!

Logo depois da minha prova, ao voltar ao trabalho, recebi a notícia de que meus serviços não seriam mais necessários, a vida de empregada assalariada chegara ao fim. Foi de repente, sem aviso prévio, sem chance de terminar o expediente. Foi o tempo de juntar as minhas coisas e sair, dando um tchauzinho rápido. Estava tão feliz por conseguir passar no exame prático e, quando dei por mim, estava triste por perder um emprego – pior, por não ter me preparado para perdê-lo. Não gosto quando as coisas acontecem assim tão rápido, gosto de me organizar, de saber para onde vou, anotar o que for possível, me preparar, e eu não tive tempo de captar tudo o que acontecia.

Foram fins diferentes, mas, pode até parecer clichê (e é), todos dizem uma única coisa: a vida segue. As pessoas morrem, perdem empregos, encerram ciclos e a vida continua, um dia após o outro e, quando acharmos que estamos no controle novamente, ela virá para mostrar que ninguém pode controlá-la.

Um pouco de cafuné, um dia bem dormido e pronto, hora de colocar tudo no lugar para recomeçar.

 

Quero contar que sábado foi a minha formatura

Sábado foi a minha formatura e bem, não foi tão animador assim. Saber que agora “estou crescida” e que um futuro profissional me espera não foi a melhor coisa do mundo. Na verdade, foi bem assustador. Ainda mais que eu não sei lidar com essas coisas de novidades e surpresas, sempre fico meio atordoada. Agora sou bacharel em Rádio, Tv e Internet, e daí?

Entretanto, é incrível pensar o quanto eu aprendi em quatro anos (3 e meio, no meu caso) mesmo achando que eu não aprendi nada. A gente fica com birra da faculdade e do professor, mas só cai a ficha quando você tá lá de boa assistindo a um filme, um programa ou qualquer outra coisa e consegue notar os erros e acertos (principalmente os erros) e percebe que pode fazer melhor.

Na verdade, acho que quando a gente se forma, a gente fica um saco. Chato pra caramba. Se achando mesmo. E preciso dizer que estou me policiando quanto a isso, porque ainda tenho muito o que aprender e eu posso aprender em qualquer lugar com qualquer pessoa. Posso, principalmente, aprender lições que a gente não aprende nos cursos e que, geralmente, valem muito mais.

Estou me sentindo a Alice no momento em que ela está caindo no País das Maravilhas – só que estou caindo no mundo dos adultos de verdade.

Preciso constar aqui que eu fui a oradora e, logo, vou guardar aqui o discurso para a posteridade:

Boa noite a todos! Gostaria de começar agradecendo a presença de vocês aqui e também por estarem presente ao longo do curso, isso foi muito importante para nós. Então começo com um agradecimento especial aos pais, que, muitas vezes, mesmo não sabendo e-xa-ta-men-te o que é fazer “rádio e Tv”, nos apoiou em todos os sentidos, obrigada, de coração. Também merecem nossa gratidão os irmãos e amigos, porque sem vocês não teríamos atores, figurantes, contra-regras entre outras mil funções em nossos trabalhos, vocês são demais! Nossos vídeos não seriam os mesmo sem vocês. Obrigada. Não posso esquecer de agradecer aos namorados e namoradas, o apoio de vocês foi muito importante em todos os momentos, é sempre bom ter alguém com quem contar, obrigada. E, com muito carinho, gostaria de agradecer os professores e os técnicos do laboratório, graças a ajuda de vocês estamos aqui hoje, com a bagagem cheia de aprendizado. Obrigada pelo companheirismo e por compartilhar conhecimento, vocês arrasam!

E gostaria de deixar um agradecimento mais que especial: a nós, formandos! Pode parecer estranho, mas, só a gente sabe a dor e a delícia que foi concluir esses quatro anos. Muitas vezes a vontade de desistir passou pelas nossas cabeças e ficou ali martelando, passamos por problemas na família, por perdas, por doença, mas continuamos seguindo e hoje estamos aqui, no dia mais esperado desde o primeiro dia de aula: o dia da formatura.

E, se formos parar pra pensar no primeiro dia de aula, poxa vida! Como tudo passou rápido! Entramos cheios de certeza e vontade de mudar o mundo, sabíamos exatamente o que seríamos assim que colocássemos os pés pra fora da faculdade. Estava tudo absolutamente planejado. Pena que a vida não sabia dos nossos planos. Passavam-se os semestres e percebíamos que nem tudo eram flores, conseguir verba não era simples, planejar uma produção não era rápido, ser o novo diretor do momento não ia acontecer do dia pra noite. Acho que nos frustramos um pouco.

Então fazer Rádio e TV não era tudo isso? Bem, não. Fazer Rádio e Tv é bem mais que isso. É conseguir fazer coisas legais com pouco dinheiro, é ser capaz de divertir e informar pessoas, é poder colocar conteúdo em diversos formatos, e transformar isso em assunto nas rodas de amigos.. É reunir a família em frente a televisão para acompanhar um programa, é ser a companhia de alguém que mora sozinho e só tem a tv ou a internet como amigo ao chegar em casa. E podemos fazer muito mais, nada que umas noites sem dormir não resolva (e olha que já estamos treinados nisso)!

Hoje, chegamos ao fim de uma etapa, mas esse é só o começo! Ainda há muito o que se aprender. Por isso, desejo a nós, formandos, que aquela vontade que tínhamos, de fazer a diferença, nos acompanhe daqui pra frente, porque temos muito o que fazer, e sabemos que podemos fazer muito!

Muito obrigada e boa noite, mais uma vez.

formandosrtvi