a importância de ter alguém fantástico ao seu lado

Durante toda a minha formação como gente sempre fui muito fechada, principalmente em relação a críticas e elogios. Toda vez que fazia algo espetacular (pelo menos que eu julgava espetacular) e mostrava para as pessoas ao meu redor, nunca recebi nada muito além do famoso “não fez mais que a sua obrigação”, ou “poderia ter feito melhor” ou pior: “pra que serve isso mesmo?”

Então, de tempos em tempos, eu vivia migrando de áreas tentando achar a coisa certa que agradaria meus pais: tentei ser artista, diretora de cinema, doceira, manicure, costureira, fotógrafa, escritora entre mil outras coisas que só ficaram na minha cabeça mesmo. Obviamente nada deu muito certo porque eu acreditava depender dos outros para o meu sucesso e não de mim mesma.

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e não é só namoro, na amizade também

Quando eu comecei a namorar foi meio complicado trabalhar essa questão porque, enquanto meu namorado era aberto a elogiar e criticar e apoiar as outras pessoas, eu não conseguia lidar com isso, só conseguia criticar da pior forma e exigir mais dos outros e, claro, de mim mesma. Estamos juntos há seis anos e só agora consigo me libertar dessas amarras e ficar mais aberta a reconhecer as coisas boas nas pessoas, acreditar no meu potencial e fazer com que as outras pessoas acreditem no potencial delas também.

Está sendo uma longa caminhada, mas, só foi possível porque eu tenho uma pessoa incrível ao meu lado me dando todo esse suporte. E não precisa ser só o namorado, é importante ter amigos e familiares fantásticos ao nosso redor. Existem pessoas tóxicas por toda a parte, que sempre nos coloca pra baixo e, muitas vezes, não é possível excluí-las de nossas vidas, porém, ao ter pessoas que nos apoiam, logo, estamos para cima novamente.

Não precisamos aguentar pessoas negativas pelo simples fato de conviver com ela há anos ou por ser amiga da família ou por, inclusive, ser da família – a essas pessoas, damos apenas o mínimo da atenção e guardamos o nosso melhor para aqueles que sabem reconhecer e que vão saber melhorar ainda mais quem a gente é. E, quando a gente recebe todo esse apoio, também nos tornamos aptos a dar o nosso melhor para os outros também.

E não tenha medo de ser a pessoa fantástica ao lado de alguém: elogie mesmo, ajude, fale a verdade, ouça o que o outro precisa colocar pra fora e apoie com a ferramenta que você tiver nas mãos, dê o seu melhor e ensine o outro a dar o melhor também. É uma corrente. Só assim encheremos o mundo com pessoas fantásticas.

 

não canso de olhar #02

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Desde que eu vi essa foto no jornal na última quarta-feira, eu não consigo parar de olhar pra ela. Coloquei até no meu mural. Espero que ela entre para as páginas dos livros de história. Eu diria que é uma obra-prima do Brasil moderno com uma pitada Barroca, quase uma releitura de A Última Ceia, do Renascentista Leonardo da Vinci.

Essa fotografia consegue resumir toda a bagunça que o nosso país está passando: comer na mesa de trabalho como medida desesperada porque nada o que já foi feito conseguiu barrar o avanço da reforma trabalhista que, veja só, vai fazer muitos funcionários, de fato, comer na mesa de trabalho para não perder tempo; homens brancos e velhos (e empresários, talvez?)  tentando deslegitimar o movimento, bravos por não serem o centro da atenção.

Pedro Ladeira, muito obrigada por criar essa obra-prima.

haters back off

 

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Hater Back Off! conta a história de Miranda que quer se tornar uma cantora famosa a todo custo, o único problema é que ela não canta bem, porém, isso não é, de fato, um problema para o seu tio, que investe todo o seu tempo como empresário da sobrinha. A mãe, Bethany, é a única que sustenta toda a casa trabalhando no mercado, ela seria normal se não fosse hipocondríaca. Patrick é absolutamente apaixonado por Miranda, mas, poxa crush porque você não me nota. Emily, a irmã é a mais sensata no meio de todo esse caos, porém, do que adianta ser sã quando tá todo mundo louco? Apesar das personagens e das situações docemente bizarras, Haters Back Off! tem muitas críticas sobre os dias atuais, tudo muito bem construído.

Miranda vive numa bolha criada pelos familiares e a primeira temporada mostra essa bolha se rompendo aos poucos. Em casa, todos a elogiavam mesmo sabendo que ela é ruim, porém, ela não quis mais fazer suas apresentações dentro de casa, um mundo estava esperando por ela na internet, só que nesse novo mundo, as pessoas são bem mais cruéis. Miranda não tem talento algum, mas tem muita autoestima. A mãe e o tio alimentam essa autoestima ao elogiá-la incansavelmente e acabam criando uma pessoa totalmente egoísta. Os dois escolhem uma das irmãs para amar e outra para ser indiferente. Ao contrário de Miranda, Emily é uma artista, que ninguém do seu núcleo familiar apoia ou a reconhece como artista e, por ninguém a reconhecer, ela própria não acredita em seu potencial.

Durante a primeira temporada, a gente começa a ver uma pequena inversão de papéis. Enquanto Miranda resolve mostrar seu talento para o mundo, e se abrir para novos horizontes, ela percebe que nem todo mundo está pronto para reconhecê-la e isso abala a sua autoestima; ao mesmo tempo que Emily decide seguir o seu caminho e, ao se autoafirmar, sente-se mais forte para enfrentar as diferenças entre ela e Miranda.

É engraçado a gente falar que autoestima deve vir de dentro, porque a sensação é que vem de qualquer lugar, menos da gente. É uma luta muito grande separar os elogios das críticas pesadas que fazem sobre nós o tempo todo, até mesmo porque os julgamentos são muito mais intensos. Por mais que façamos exercícios de autoaceitação, por mais que meditemos e façamos qualquer prática de livro de autoajuda para conseguir pelo menos um pouquinho de amor-próprio, a opinião dos outros ainda vai influenciar. Parece que autoestima e a avaliação alheia estão intimamente ligados. E isso fica mais difícil quando alguns ou algumas características são escolhidos para serem mais amados que outros ou quando não se aprende a cultivar a autoestima desde criança – o que frequentemente acontece.

Dentro de todos os temas possíveis a ser abordado sobre a série, falar sobre a fragilidade do nosso ego me pareceu mais palpável nesses últimos dias. Recentemente perdi um emprego que eu gostava muito por questões financeiras da empresa e eu sempre brinco que eles perderam uma estrela. Quem convive comigo, pode até achar que eu tenho uma senhora autoestima, entretanto, o que eu tenho é uma microscópica autoestima. Me enaltecer por brincadeira é uma artimanha para me defender, mas, a verdade é que eu não sei me valorizar e isso vai me atormentar até que eu consiga uma nova ocupação no mercado de trabalho porque eu simplesmente não sei vender meu peixe. Por vezes, enquanto assistia a série, quis ter o amor-próprio de Miranda Sings, será que ainda tenho chances?