haters back off

 

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Hater Back Off! conta a história de Miranda que quer se tornar uma cantora famosa a todo custo, o único problema é que ela não canta bem, porém, isso não é, de fato, um problema para o seu tio, que investe todo o seu tempo como empresário da sobrinha. A mãe, Bethany, é a única que sustenta toda a casa trabalhando no mercado, ela seria normal se não fosse hipocondríaca. Patrick é absolutamente apaixonado por Miranda, mas, poxa crush porque você não me nota. Emily, a irmã é a mais sensata no meio de todo esse caos, porém, do que adianta ser sã quando tá todo mundo louco? Apesar das personagens e das situações docemente bizarras, Haters Back Off! tem muitas críticas sobre os dias atuais, tudo muito bem construído.

Miranda vive numa bolha criada pelos familiares e a primeira temporada mostra essa bolha se rompendo aos poucos. Em casa, todos a elogiavam mesmo sabendo que ela é ruim, porém, ela não quis mais fazer suas apresentações dentro de casa, um mundo estava esperando por ela na internet, só que nesse novo mundo, as pessoas são bem mais cruéis. Miranda não tem talento algum, mas tem muita autoestima. A mãe e o tio alimentam essa autoestima ao elogiá-la incansavelmente e acabam criando uma pessoa totalmente egoísta. Os dois escolhem uma das irmãs para amar e outra para ser indiferente. Ao contrário de Miranda, Emily é uma artista, que ninguém do seu núcleo familiar apoia ou a reconhece como artista e, por ninguém a reconhecer, ela própria não acredita em seu potencial.

Durante a primeira temporada, a gente começa a ver uma pequena inversão de papéis. Enquanto Miranda resolve mostrar seu talento para o mundo, e se abrir para novos horizontes, ela percebe que nem todo mundo está pronto para reconhecê-la e isso abala a sua autoestima; ao mesmo tempo que Emily decide seguir o seu caminho e, ao se autoafirmar, sente-se mais forte para enfrentar as diferenças entre ela e Miranda.

É engraçado a gente falar que autoestima deve vir de dentro, porque a sensação é que vem de qualquer lugar, menos da gente. É uma luta muito grande separar os elogios das críticas pesadas que fazem sobre nós o tempo todo, até mesmo porque os julgamentos são muito mais intensos. Por mais que façamos exercícios de autoaceitação, por mais que meditemos e façamos qualquer prática de livro de autoajuda para conseguir pelo menos um pouquinho de amor-próprio, a opinião dos outros ainda vai influenciar. Parece que autoestima e a avaliação alheia estão intimamente ligados. E isso fica mais difícil quando alguns ou algumas características são escolhidos para serem mais amados que outros ou quando não se aprende a cultivar a autoestima desde criança – o que frequentemente acontece.

Dentro de todos os temas possíveis a ser abordado sobre a série, falar sobre a fragilidade do nosso ego me pareceu mais palpável nesses últimos dias. Recentemente perdi um emprego que eu gostava muito por questões financeiras da empresa e eu sempre brinco que eles perderam uma estrela. Quem convive comigo, pode até achar que eu tenho uma senhora autoestima, entretanto, o que eu tenho é uma microscópica autoestima. Me enaltecer por brincadeira é uma artimanha para me defender, mas, a verdade é que eu não sei me valorizar e isso vai me atormentar até que eu consiga uma nova ocupação no mercado de trabalho porque eu simplesmente não sei vender meu peixe. Por vezes, enquanto assistia a série, quis ter o amor-próprio de Miranda Sings, será que ainda tenho chances?

 

 

todos os amores vão fracassar

Master of None é, de longe, uma das melhores séries da atualidade. Aziz Ansari consegue tratar de temas polêmicos de forma leve mas, sem deixar de ser pertinente e inclusivo. É possível sim ser engraçado sem ofender outras pessoas. Assim como na primeira temporada, devorei a segunda em menos de três dias, porém, essa foi mais difícil de digerir.

dev e francesca no carro rindodev no carro sozinho e triste

[spoiler alert]

Por um momento, eu me vi na pele de Francesca: vive numa cidade do interior, namora o mesmo rapaz há muitos anos desde os seus dezoito anos e ele está tão envolvido em outros projetos que, às vezes, alguma comemoração passa despercebida ou está tão na rotina, que tudo passa despercebido porque as coisas são assim mesmo. De repente, aparece o Dev que vem de uma cidade conhecida no mundo inteiro, muito mais avançada que a pacata cidade de Francesca e coloca o mundo dela de ponta cabeça. Ao mesmo tempo em que ele joga todos os problemas do relacionamento de Francesca na cara dela, ele se apresenta como a solução desses problemas.

Isso me incomodou. Muito.

Todos os amores estão fadados ao fracasso. Assim como o destino das flores é morrer. A diferença é como você vai cuidar para que isso não aconteça. Tem que saber adubar, regar, saber a hora de colocar no sol ou de tirar as folhas murchas.

Francesca estava num relacionamento estável que podia durar toda a vida porque era exatamente assim que eram as coisas pra ela. Dev estava acostumado ao movimento, a sair para curtir, a experimentar coisas novas exatamente porque a cidade dele proporcionava tudo isso. Pregar uma vida de curtição atrai qualquer um, mas, o que garante que um relacionamento durará pra sempre nesse estilo? Nada garante. Porque assim como rotina é desgastante, uma vida louca também é.

De repente, Francesca se vê no meio de dois caras: um apresenta segurança, o outro, uma vida nova em outro país. Muita presunção do Dev achar que ela deveria ficar com ele só porque ele se apaixonou – quem confirma que não é temporário? Terminar um relacionamento de anos é muito dolorido para simplesmente acabar. São muitos desapegos sentimentais para acontecer. Ao mesmo tempo que é muito convencimento do noivo achar que Francesca seria dele pra sempre, sem que ele precisasse dedicar-se a ela. Por mais que eu tenha me imaginado no lugar de Francesca, definitivamente, não queria estar no lugar dela porque não existe resposta correta: é mais fácil consertar um amor fracassado ou começar um novinho em folha?