como acabar com a sua carreira

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Eu adoro acompanhar as novidades musicais, principalmente as novidades para adolescentes. Gosto dessas músicas bobinhas, com refrão chiclete e cheia de efeitos. É óbvio que eu ouço uma ou duas músicas dele, e é óbvio que o marketing musical desse nicho se fixa na beleza e não no talento, afinal coisas bonitas são mais fáceis de vender, ainda mais para adolescentes em busca de um príncipe encantado. Desde a minha adolescência é assim que funciona, aliás, desde a adolescência da minha mãe.

Mc Biel aparentemente é um garoto de classe média que teve a sorte de ganhar um investimento na carreira. Se você é um garoto que tem a sorte de nascer “bonito” e com algum dinheiro, você, provavelmente vai se achar a última bolacha do pacote. Vai estar sempre bem vestido em boas festas e, provavelmente vai conquistar muitas garotas. Tudo vai ser fácil. É preciso muito pé no chão e puxão de orelha dos pais pra mudar isso, mas, quais as chances dos pais chamar a atenção? O garoto tá fazendo o que garotos devem fazer: pegar garotas. Não importa quantas por final de semana, quanto mais melhor. Que pai não quer um garanhão? Não importa se ele respeita a garota ou não, porque “se a menina está na balada ela não se dá ao respeito mesmo”.

Você junta isso ao sucesso repentino. Dinheiro, muito dinheiro na conta, muita garota no pé, muita garota fazendo o possível pra conseguir qualquer coisa com você (e muita garota adolescente!). É óbvio que você vai se achar um rei. E vai achar que pode falar qualquer coisa pra qualquer pessoa porque você é rico, famoso, gostoso e qualquer mulher faria tudo pra ter uma noite com você. Juntando tudo isso, temos o caso do Mc Biel assediando a jornalista do IG numa entrevista que ajudaria a carreira dele a crescer mais um pouquinho, mas que ele jogou ladeira abaixo.

A culpa é a falta de talento? Não, porque poderia ser a pessoa mais talentosa do mundo que não te daria o direito de assediar alguém. A culpa é do funk? Não, não é porque você canta funk que automaticamente se torna um babaca. A culpa é o dinheiro? Também, porque eu acredito que o dinheiro é capaz de aflorar ainda mais o que a gente é por dentro.

Por um momento, eu acreditei que fosse despreparo por parte da assessoria de não atentá-lo em relação a isso, mas não, é coisa de formação de caráter mesmo. É claro que ele é culpado pelo que ele fala, porém, não só ele. É todo um histórico, uma atitude não repreendida quando criança, o ensinamento do pai pro filho, a admiração por parte das meninas que (acham que) gostam de garotos que não aceitam um não como resposta (a gente é ensinada a achar isso bonito, vai vendo). É uma cultura que está muito, muito funda em nossa sociedade e que por muito tempo era normal, mas que, felizmente as mulheres estão prontas pra dizer que não, não é normal.

O Biel foi o primeiro a assediar uma jornalista durante uma entrevista? Não, claro que não! Ele só teve o azar (risos) de encontrar uma mulher que não vai mais deixar pra lá porque “homem é assim mesmo”. Pode ser que o processo não dê em nada? Pode, afinal, só levaram a acusação a sério com os áudios vazados e, sempre que há uma oportunidade, tentam deslegitimar o discurso de uma mulher, mas seguimos na luta. Que todos os assédios sejam jogados na roda, é preciso debater, questionar, mudar, e claro, educar os meninos desde criança para que na vida adulta, não se torne refém de atitudes como essa.

E pra você que precisava de um exemplo de como a vida pode piorar, agora você tem o exemplo do Mc Biel, que depois dessa acusação teve contratos cancelados e ainda atropelou uma motociclista e negou socorro. Karma is a bitch.

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P.S: Queria colocar no texto mas não achei lugar: Felipe Neto como sempre perdeu a chance de ficar quietinho. O Biel já gravou o vídeo de desculpas, agora, aguardo ansiosamente o dia em que o Felipe Neto vai pedir desculpas pra todo mundo que ele ofendeu.

Eu quero ser como Jenny Beavan

*  Na roda de amigos eu sempre sou a última a saber e/ou a comentar. Acho que deve ser porque eu acho o ritmo de informação muito frenético e nem tenho tempo de digerir tudo o que chega até mim, por isso acabo um bom tempo depois. Isso até vai virar uma categoria aqui, porque olha, faço isso com frequência. Chamarei carinhosamente de: Comentando Notícias Passadas *

Na real, eu não tenho paciência para assistir a essas apresentações, prefiro abrir a internet no dia seguinte e procurar um site que informe a lista completa de ganhadores. Esse ano fiz um pouco diferente e fui acompanhando em tempo real pela internet mesmo até dar a minha hora (porque né, não sou uma atriz de Hollywood que irá dormir até o pôr-do-sol da segunda-feira). A minha última atualização foi o prêmio de melhor figurino para Mad Max, fiquei surpresa porque tinha certeza que esse seria de Cinderella.

No dia seguinte, junto as festividades do prêmio do Léo, veio a polêmica da roupa da Jenny Beavan, que levou o Oscar de melhor figurino. Jenny subiu ao palco vestindo calça, jaqueta e botas pretas. Ela não estava de gala. Mas estava bem vestida, como ela mesma disse. E, tudo ficou pior ao ser compartilhado um GIF no qual o diretor Iñarritu e pessoas sentadas ao redor, não a aplaudiram quando foi buscar sua estatueta. Meu Deus, olha pra essa figura! Ela veio ao Oscar com essa roupa, esse cabelo, essa cara! Cadê o glamour? Jenny Beavan não foi notícia por ter ganho o prêmio, e sim pela roupa que usou para recebê-lo.

E, apesar de toda essa pressão, Beavan, permaneceu coerente ao que acredita. Ela poderia xingar muito no twitter, jogar indiretas àqueles que não a aplaudiram ou criticaram seu modo de vestir, poderia humilhá-los, afinal, esse não é seu primeiro Oscar e já fora indicada 10 vezes. Mas, não. Ela foi humilde, sensata, viu o lado positivo de tudo: “talvez eles estavam apenas cansados de aplaudir, naquele momento todos já aplaudiram demais”.

Engraçado que, sempre que uma mulher realiza algum feito, por mais espetacular que seja, se ela não estiver bem vestida, bem maquiada, magra, feliz e falar corretamente, o feito dela será ofuscado.

Mas Jenny não se sentiu intimidada, ela foi forte e me ensinou que eu também posso ser. Isso era realmente o que eu precisava aprender nesse momento.

“Eu realmente acho que as coisas vão se acalmar, mas o que eu quero é que isso gere um efeito positivo sobre como as mulheres se sentem sobre elas mesmas. Você não precisa parecer uma supermodelo para ter sucesso. Se pudermos lembrar disso, seria uma coisa ótima. É muito bom se sentir bem, porque aí você pode fazer qualquer coisa. As pessoas não precisam te aplaudir; elas não têm que gostar do seu trabalho.” (via)

Obrigada, Jenny, por me ensinar que eu não preciso dos aplausos dos outros para me manter em pé. Se eu acreditar em mim, já é um bom começo. Ficaria feliz se um dia eu puder ser como você.

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P.S: Iñarritu aplaudiu sim, mas as pessoas acharam mais interessante jogar lenha na fogueira e compartilhar o GIF mostrando-o de braços cruzados.

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