fotografias não tiradas #01

Não estava calor. Também não estava frio. Era como se de fato o tempo estivesse parado para que o momento pudesse ser registrado. De onde eu estava, eu via todo o quintal e todas as pessoas presentes na casa. Do meu lado esquerdo, na churrasqueira, estava o marido da minha prima. A fumaça não subia a chaminé como deveria e inundava o quintal com aquele cheiro bem particular. Do telhado entrava um fecho de luz do sol mais forte que a iluminação natural da tarde de um sábado. Essa luz evidenciava a fumaça que se espalhava, fazendo com que tudo parecesse não mais que um sonho. Do outro lado, na rede, minha prima abraçava o seu filho mais velho e eles riam. Ao lado, na cadeira de balanço, meu padrinho relaxava ao som da música caipira e seu fiel escudeiro, um pinscher, tirava um cochilo. Nas outras cadeiras, minhas outras primas e minha madrinha conversavam e riam. Meus primos menores corriam em câmera lenta. O vento vira e mexe balançava as bexigas. Nesse momento, é como se todos os problemas tivessem desaparecido, tal como a fumaça que saía da churrasqueira e, aos poucos, se desfazia. Nesse exato momento, que não durou mais do que alguns segundos, tudo parecia perfeito, tudo se encaixava, inclusive eu. Me senti parte daquilo e isso me fez muito bem. Não existe nenhuma fotografia e nenhuma postagem desse recorte no tempo, mas, ele estará para sempre comigo e eu sempre me lembrarei disso com um sorriso.