#whomadeyourclothes?

Esse feriado resolvemos dar uma passada no shopping para almoçar antes de ir ao passeio programado, aproveitando a viagem, fui dar uma vasculhada nas lojas para ver se achava uma saia bacana pra mim.

A primeira parada foi na Forever 21. Tinha muitas opções, mas, em cada peça que eu pegava em mãos, só conseguia olhar onde aquela peça tinha sido confeccionada: made in China, made in Vietnam… Depois olhava para a etiqueta de valor e me lembrava do documentário “The True Cost” e não tive coragem. Sai da loja sem nada. Aliás, não consegui comprar nada depois disso.

Se você ainda não teve a oportunidade de assistir ao The True Cost, recomendo. É uma reflexão sobre quem faz nossas roupas e o que fazem com essas pessoas, as condições que são obrigadas a aceitar para conseguir sobreviver enquanto toneladas de roupas são compradas e descartadas diariamente e a compulsão por novidades que o mercado vem criando nos consumidores: toda semana precisa ter coisa nova nas araras. Que estilista consegue ser criativo nessas condições? Como o planeta consegue sobreviver a isso tudo?

Lojas de departamento acabam sendo a opção mais cabível no meu bolso (embora, ultimamente, os preços estão cada vez mais longe da minha realidade), mas, será que vale a pena investir numa peça que em menos de 10 lavagens já estará danificada o suficiente para não ser mais usável? Repensar o modo de consumir a moda está cada vez mais necessário, as coisas estão mudando muito rápido, é preciso desacelerar o sistema para que a reflexão seja feita. O documentário aborda principalmente os países da Ásia, que são os mais afetados, porém, não precisamos ir tão longe: quantas denúncias de trabalho escravo só no estado de São Paulo já foram feitas? E no Brasil todo? Quantas marcas nacionais não estão envolvidas?

A ONG Fashion Revolution luta por um caminho melhor na moda, buscando melhores condições de trabalho. Durante a semana de 18 a 24 de abril desse ano, acontece a Fashion Revolution Week, na qual eles propõem o desafio de postar fotos da etiqueta de nossas roupas taggeando #whomademyclothes nas redes sociais, questionando a marca sobre a produção de suas peças.

Estão surgindo cada vez mais marcas independentes com foco na sustentabilidade e na qualidade e durabilidade das peças, e, graças a internet, a compra desses produtos está mais acessível, o preço acaba sendo maior – afinal, é praticamente impossível competir com grandes varejistas – mas, por que não investir um pouco mais numa peça que durará mais numa modelagem atemporal? Por que não investir no seu estilo ao invés de naquilo que está na moda?

Você não precisa ser uma pessoa ligada a moda para levantar essas reflexões. O fato de eu evitar comprar roupas feitas a partir desse tipo de trabalho pode não significar nada para as lojas, porém, é de um em um que a diferença começa a ser notada.

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