Eu quero ser como Jenny Beavan

*  Na roda de amigos eu sempre sou a última a saber e/ou a comentar. Acho que deve ser porque eu acho o ritmo de informação muito frenético e nem tenho tempo de digerir tudo o que chega até mim, por isso acabo um bom tempo depois. Isso até vai virar uma categoria aqui, porque olha, faço isso com frequência. Chamarei carinhosamente de: Comentando Notícias Passadas *

Na real, eu não tenho paciência para assistir a essas apresentações, prefiro abrir a internet no dia seguinte e procurar um site que informe a lista completa de ganhadores. Esse ano fiz um pouco diferente e fui acompanhando em tempo real pela internet mesmo até dar a minha hora (porque né, não sou uma atriz de Hollywood que irá dormir até o pôr-do-sol da segunda-feira). A minha última atualização foi o prêmio de melhor figurino para Mad Max, fiquei surpresa porque tinha certeza que esse seria de Cinderella.

No dia seguinte, junto as festividades do prêmio do Léo, veio a polêmica da roupa da Jenny Beavan, que levou o Oscar de melhor figurino. Jenny subiu ao palco vestindo calça, jaqueta e botas pretas. Ela não estava de gala. Mas estava bem vestida, como ela mesma disse. E, tudo ficou pior ao ser compartilhado um GIF no qual o diretor Iñarritu e pessoas sentadas ao redor, não a aplaudiram quando foi buscar sua estatueta. Meu Deus, olha pra essa figura! Ela veio ao Oscar com essa roupa, esse cabelo, essa cara! Cadê o glamour? Jenny Beavan não foi notícia por ter ganho o prêmio, e sim pela roupa que usou para recebê-lo.

E, apesar de toda essa pressão, Beavan, permaneceu coerente ao que acredita. Ela poderia xingar muito no twitter, jogar indiretas àqueles que não a aplaudiram ou criticaram seu modo de vestir, poderia humilhá-los, afinal, esse não é seu primeiro Oscar e já fora indicada 10 vezes. Mas, não. Ela foi humilde, sensata, viu o lado positivo de tudo: “talvez eles estavam apenas cansados de aplaudir, naquele momento todos já aplaudiram demais”.

Engraçado que, sempre que uma mulher realiza algum feito, por mais espetacular que seja, se ela não estiver bem vestida, bem maquiada, magra, feliz e falar corretamente, o feito dela será ofuscado.

Mas Jenny não se sentiu intimidada, ela foi forte e me ensinou que eu também posso ser. Isso era realmente o que eu precisava aprender nesse momento.

“Eu realmente acho que as coisas vão se acalmar, mas o que eu quero é que isso gere um efeito positivo sobre como as mulheres se sentem sobre elas mesmas. Você não precisa parecer uma supermodelo para ter sucesso. Se pudermos lembrar disso, seria uma coisa ótima. É muito bom se sentir bem, porque aí você pode fazer qualquer coisa. As pessoas não precisam te aplaudir; elas não têm que gostar do seu trabalho.” (via)

Obrigada, Jenny, por me ensinar que eu não preciso dos aplausos dos outros para me manter em pé. Se eu acreditar em mim, já é um bom começo. Ficaria feliz se um dia eu puder ser como você.

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P.S: Iñarritu aplaudiu sim, mas as pessoas acharam mais interessante jogar lenha na fogueira e compartilhar o GIF mostrando-o de braços cruzados.

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Eu voltei (agora pra ficar?)

Eu sempre escrevo essa mesma frase em todos os blogs que eu ameaço voltar, mas, cumprindo a profecia do universo eu nunca volto de verdade. É a vida.

Mas, eu não seria eu se eu não prometesse mais uma vez: dessa vez é de verdade, eu juro.

Ando num período tão conturbado e confuso pra mim, que sinto falta de colocar tudo pra fora (ou, melhor, vomitar tudo pra fora). Escrever sempre foi me refúgio e ter alguém que me leia e concorde comigo – ou não – aumenta o meu ego.

Ontem eu conheci o blog da Lívia Aquino e conheci uma palavra nova: hypomnemata, que acredito descrever o meu futuro propósito com o blog.

(..) um sistema de registro descrito por Foucault em A escrita de si: “Os hypomnematas caracterizam-se como cadernos pessoais, livros da vida, guias de conduta. Neles são colocadas citações, fragmentos de obras, exemplos e ações de que se tinha sido testemunha ou cujo relato se tinha lido, reflexões ou debates que se tinha ouvido ou que se tinha vindo à memoria”. Não se trata de revelar o que está oculto e sim de captar o já dito, de reunir o que se pôde ouvir ou ler dentre tantas coisas – é o oposto da ideia de informação. (Aquino, Lívia)

E, acima de tudo isso, fragmentos de mim mesma nessa eterna descoberta sobre o que é a vida e sobre o que eu sou e pretendo me tornar.

Será que mereço boas-vindas?

P.S: Ando respondendo tantos emails, que quase finalizo essa postagem com um Att.