Fotografias não tiradas

Numa das minhas andanças por artigos de fotografia, acabei encontrando uma resenha bem simples sobre um fotógrafo que fez um livro descrevendo as fotografias que ele não tirou. Acabei passando e não peguei o nome dele nem do livro, mas essa coisa de fotografias não tiradas anda me perseguindo o tempo todo.

Nem todas as fotografias são tiradas para que todos as vejam, algumas, são tiradas para ficar apenas na memória de quem (não) a tirou.

No meu caminho para o terminal de ônibus há uma placa de “pare”, junto com ela, no mesmo buraco há um pezinho de hibisco. Sempre que eu passava por lá, o pezinho estava todo florido. Lindo. Vou registrar, mas não hoje, porque tem gente na rua. Não hoje porque tô com pressa. Não hoje.

Quando decidi tirar a fotografia, podaram as flores.

Também no meu trajeto, descobri uma porta, daquelas de comércio, sabe. Ela era amarela e, bem no meio, estava escrito “garagem” em letras de estêncil. Um charme. Agora não posso registrar esse achado porque vão me achar louca. Amanhã eu tiro.

No outro dia, pintaram a porta.

Ainda no meu caminho, bem na esquina da avenida, tem uma casa antiga. Pelos portões de grade de ferro, as folhagens saltam e invadem majestosamente a calçada. Vez ou outra aparece umas florzinhas azuis, mas não é necessário, os galhos são graciosos os suficientes. Todos os dias me apaixono. Hoje desci do ônibus decidida a fotografar.

Cortaram os galhos.

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