Sophie Calle e seus jogos

Sabe aquela sensação de “eu queria ter feito isso!”? Então, é isso o que eu sinto quando vejo os trabalhos de Sophie Calle. Nascida em 1953, na França, Sophie não é propriamente uma fotógrafa, porém, se utiliza desse formato  para registrar suas performances, como uma ideia inicial de seus projetos, logo todo esse conteúdo se transforma em instalações que, mais tarde, torna-se livros. É interessante pensar como ela consegue transpôr sua obra em diversos formatos.

L’Hôtel – Sophie Calle, 1981

As características de seu trabalho sempre permeiam entre o real e a ficção, o exibicionismo e o voyeurismo, a performance, a audiência e o anônimo. Assim como o Jeff Wall, ela recria as cenas do cotidiano, mas, ao invés de montar fotografias, ela o faz criando jogos e brincando com o real. Em um dos seus trabalhos, L’Hôtel, Sophie aceita trabalhar de camareira em um hotel e, nas horas vagas, entrava nos quartos e fotografava objetos pessoais e cestos de lixo, assim como anotava algumas observações. Através desses registros, ela tentava recriar os hábitos e personalidade dos hóspedes, ela acaba então, criando personagens a partir do anônimo.

“A imagem e a escrita são os elementos necessários para ela compor suas histórias que nos falam de experiências pessoas, de situação que recriam a vida cotidiana, dos outros e de si mesma, explorando as fronteiras entre o real e o ficcional, a experimentação e a invenção” (Silva, Valdete. 2008).

Outro jogo que Sophie faz é em parceria com o escritor Paul Auster, em seu livro Leviatã, no qual ele cria uma personagem chamada Maria que é inspirada na artista. No livro, ele descreve ações que a própria Sophie fez na vida real, como a do hotel, por exemplo, mas também cria algumas, que Calle resolve fazer na vida real, tal como um regime monocromático: em cada dia da semana uma cor, e só pode se alimentar com alimentos dessa determinada cor.

L’Obéissance – Sophie Calle, 1998

O que me encanta na obra de Sophie é essa brincadeira que ela faz com o real, transformando-o em ficção. São coisas banais do dia-a-dia que pode nos contar muitas histórias, e o melhor, é que podemos imaginar com ela ao ver as fotografias ou ler seus relatos. Ela consegue trazer algo que é particular para o universal, o anônimo para conhecido e traz o que é conhecido para o anonimato.


Para saber mais:

A dieta cromática de Sophie Calle
E
ntre a memória e o esquecimento: o realismo da obra de Sophie Calle
Paul Auster e Sophie Calle: a vida como ficção
Sophie Calle e a arte fotográfica: a inventividade dos jogos

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