Grammy, Sia e Jeff Wall

Essa semana um dos meus professores postou um comentário sobre a homenagem que a cantora Sia fez ao fotógrafo Jeff Wall, e, como não é todo mundo que tem a honra de tê-lo como amigo no Facebook, compartilho e comento mais sobre a homenagem feita no Grammy.

A Sudden Gust of Wind (after Hokusai) 1993 – Jeff Wall

Quem é Jeff Wall?

Jeff Wall é um fotógrafo canadense e seu estilo é bem interessante, porque ele trabalha com a fotografia que chamamos de “quadro-vivo encenado”. Num primeiro momento, suas fotografias parece registro de algo comum do cotidiano, mas, ao pararmos para observá-las, percebemos que vai muito além. Wall capta as imagens do dia-a-dia e guarda na memória, depois, em estúdio, ele cria a sua própria realidade. Com a ajuda de profissionais de diversas áreas, ele monta o cenário de suas histórias, digo histórias porque o modo em que ela monta a cena, nos faz pensar em como tudo aconteceu para estar daquela forma.

Conversa de soldados mortos (Visão após uma emboscada contra uma patrulha do Exército Vermelho perto de Moqor, no Afeganistão, no inverno de 1986), 1992 – Jeff Wall

Uma de suas fotos mais famosas, chamada “Conversa de soldados mortos (Visão após uma emboscada contra uma patrulha do Exército Vermelho perto de Moqor, no Afeganistão, no inverno de 1986)” foi totalmente montada em estúdio (ele também se utiliza de métodos digitais de edição de imagem) e nos deixa um debate sobre fotografia x verdade. Veja, a foto parece real, mas Wall nunca esteve no Afeganistão, ele não é um fotojornalista e a obra nem foi produzida em 86, mas em 1992. Então será que toda fotografia que vemos é real? E se pensarmos que só o fato de cortar ou reenquadrar uma foto já é modificá-la? Ou melhor, e se pensarmos que, a partir do momento que resolvemos fotografar, já estamos registrando apena um pedaço da realidade?

O pensador Joan Fontcuberta escreve em seu livro “O Beijos de Judas” que “toda fotografia é uma ficção que se apresenta […] a fotografia mente sempre, mente por instinto, mente porque sua natureza não lhe permite fazer outra coisa” (citação selecionada por Thiago Dias).

Insônia, 1994 – Jeff Wall

Mesmo trabalhando com algo tão simples que é o cotidiano, Jeff Wall nos coloca frente a essas reflexões.

A obra homenageada

After “Invisible Man” by Ralph Ellison, the Prologue, 1999-2000 – Jeff Wall

A obra em que a cantora Sia se inspirou para fazer sua performance no 57° Grammy chama-se ‘After “Invisible Man” by Ralph Ellison, the Prologue’ (1999, 2000) e, como dá para notar, é baseada no livro “O homem invisível”, de Ralph Ellison. O livro é de 1947, porém, continua atual ao se tratar da invisibilidade social, principalmente o racismo. A obra conta a trajetória de um jovem negro nos EUA, em primeira pessoa, ele narra os acontecimentos que o fizeram chegar até uma toca clandestina, iluminada por 1369 lâmpadas, num porão em Nova Iorque.

Para saber mais:

O discurso sobre realidade através das ficções de Jeff Wall
Jeff Wall – O artista dos espaços esquecidos
O Homem Invisível, de Ralph Ellison

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